12/07/2010
Reforma Tributária

Há anos ouço falar e tenho participado de inúmeros grupos para apresentar uma proposta de reforma tributária, que até hoje não saiu das boas e más intenções de seus interlocutores. Por certo há um grande conflito entre esses atores. Os governos querem manter e melhorar suas arrecadações e como ninguém confia no governo — há entre eles, os municipais estaduais e o federal — ninguém quer deixar com um deles a tarefa de arrecadar e partilhar a receita. Entre os empresários todos querem jogar os impostos nas costas do outro.
Está claro que não há a menor chance de sair uma reforma tributária, até porque antes dela deveria haver uma reforma política que alterasse o pacto federativo, como também fica claro que não há a menor possibilidade no médio prazo de haver diminuição na carga tributária. Assim sendo, o melhor é tratar o assunto com objetividade e pragmatismo, quando é melhor um pássaro na mão do que dois voando. Para a grande maioria dos empresários brasileiros, ou seja, os pequenos e médios, uma consolidação na legislação tributária com a eliminação das famosas pegadinhas que são deixadas na lei, para que sempre haja um rabo para o fiscal puxar em caso de conveniência, já seria um grande avanço. Uma simplificação cairia como uma luva, diminuindo sensivelmente os custos de apuração dos impostos e a burocracia interna das empresas, diminuindo o custo tributário. Em si um processo dessa natureza já seria uma reforma, claro que não a tão sonhada reforma, mas a sonhada é sonho e invariavelmente acordamos e nos deparamos com o pesadelo de guias, apurações, declarações, formulários a preencher e interpretações de Leis, portarias, atos normativos e “quetais”.
Os candidatos ao executivo e ao legislativo podem falar o que quiserem, mas é certo que uma reforma tributária de fato não o farão, a não ser, para aumentar ou criar novos impostos, pois como apraz a alguns candidatos o Estado deve aumentar de tamanho.
Estou convencido de que centrar forças na simplificação das obrigações acessórias e na consolidação da legislação tributária trará uma redução de custos para as empresas eliminando um passivo tributário oculto, propiciado pelo amontoado legislativo e cuja compreensão não tem a clareza necessária a quem a pratica.

 

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