24/10/2007
10 mil passam por São Paulo

Diariamente cerca de 90  eventos relacionados a negócios são realizados na capital paulista, quantidade que atrai à famosa terra da garoa cerca de 10 milhões de turistas todos os anos. O volume é grande também nas cifras. É registrada  anualmente a quantia de aproximadamente R$ 4 bilhões, que é injetada na economia da cidade de São Paulo em forma de compras feitas por esses mesmos “turistas a negócios”.

Os números foram fornecidos pela São Paulo Turismo (SPTuris). “Nós somos a cidade que mais lucra com o turismo em toda a América Latina, sem sombra de dúvida. A diferença de São Paulo para uma cidade turística, como o Rio de Janeiro, por exemplo, é que o nosso turista não anda com máquina fotográfica pendurada no pescoço. Ele usa em geral terno e gravata e quando vem à cidade gasta, na maioria das vezes, mais que o turista convencional em hospedagem, refeições e serviços. O nosso turista gera muito mais recursos para a economia da cidade”, afirma categoricamente o vice-presidente da entidade, Tasso Gadzanis, que não cansa de dar exemplos dos altos números gerados pelo turismo na capital paulista. Entre os  citados está o segmento de eventos que, segundo Gadzanis, é um dos mais fortes. “As feiras do Parque Anhembi são boas comparações. A Couro Modas, que acontece no mês de janeiro, por exemplo, ela sozinha trouxe 600 mil visitantes. Os 680 quartos existentes no Hotel Holiday Inn, localizado ao lado do pavilhão de exposições, estiveram ocupados durante toda a duração da feira”, diz Gadzanis. Para o diretor superintendente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando, a maioria dos 10 milhões de visitantes que a cidade recebe fica na cidade  por dois dias, em média. Sando também explica que toda a cadeia de turismo movimentou cerca de R$ 8 bilhões no ano passado, entre viagens, hospedagem e transporte terrestre e aéreo. Neste ano, a entidade prevê um incremento de 10% para o setor de turismo. Segundo o Bureau, são gastos na cidade R$ 700 milhões em locação de área para exposição e mais R$ 700 milhões com a contratação de serviços. Para a entidade, 47,2% dos turistas visitam São Paulo para negócios, congressos e convenções. Um turista a lazer gasta em média R$ 300 por dia e um turista a negócios gasta R$ 600. Mais de 4,3 milhões de profissionais — sendo 45 mil estrangeiros—  visitam a cidade para comprar produtos e contratar serviços.

Dentre os fatores que colaboram para esses números favoráveis no setor, está o programa “São Paulo – Ganhe mais um dia”, que visa a estimular  turistas que visitam a cidade a negócios ou para eventos, como feiras e congressos, a prolongar a viagem e aproveitar as opções de entretenimento na capital paulista.

Por toda a importância que as feiras de negócios e as exposições têm para a cidade de São Paulo é que os investimentos neste segmento nunca param. Segundo o vice-presidente da SPTuris, acaba de ser fechado um acordo com o Ministério do Turismo para a reforma do telhado do Pavilhão de Exposições do Anhembi, além de investimentos na iluminação do local. A verba destinada será de R$ 5,2 milhões por parte do Governo Federal que serão somados a outros R$ 3,5 milhões fornecidos pela Prefeitura de São Paulo.


Comércio
Outro grande atrativo da cidade de São Paulo são suas ruas de comércio segmentado, que também atraem milhares de turistas todos os dias, a maioria deles vinda do interior do estado.

De acordo com uma enquete realizada pela Câmara Empresarial de Turismo, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), com os “turistas de um dia” que vinham realizar compras na Rua 25 de Março, os turistas dos 605 ônibus que vieram à região trouxeram consigo cerca de R$ 32,5 milhões para serem gastos somente no comércio daquela rua durante o mês de abril. “O que mais chama a atenção é que o mês de abril não é considerado um mês tradicional de compras, já que não tem nenhuma data especial, como Dia das Mães ou Dia dos Namorados, para incentivar as compras”, afirma o próprio Tasso  Gadzanis, que também preside o Câmara Empresarial de Turismo da Fecomercio. De acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aproximadamente 500 ônibus entram na cidade de São Paulo diariamente carregando turistas que vêm fazer compras nas 51 ruas especializadas existentes na capital paulista.

Falta infra-estrutura
A cidade de São Paulo pode estar perdendo oportunidades por não ter a infra-estrutura necessária ao setor de serviços. Essa é a visão de Carlos Eduardo Assmann, consultor da Trevisan Consultores, para quem a cidade “precisa aproveitar as oportunidades de negócios na área de serviços para não sofrer com a perda de contratos”. As novas oportunidades também são ressaltadas Tasso Gadzanis, para quem o turismo de negócios —grande atrativo do município— tem se ampliado para a área cultural da cidade. “Hoje o mercado e o público começaram a compreender que a cidade é muito mais do que apenas negócios. Somado ao fato de os eventos de negócios serem fundamentais para a economia da metrópole, eles expandiram para o entretenimento”, disse Gadzanis.

Esse crescimento faz com que o consultor da Trevisan ressalte que a cidade precisa de uma infra-estrutura que atenda às necessidades de quem chega à capital. Ele cita como exemplo o transporte urbano adequado. E vai além, destacando ainda  restaurantes, hotéis, casas de shows e espetáculos. “A cidade de São Paulo, que já teve uma orientação industrial, hoje se tornou um pólo de negócios com concentração de empresas de serviços. Quando uma empresa se muda para a cidade, ela contrata diversos serviços, como os do setor financeiro e consultoria estratégica para estabelecer seus negócios”, explica. “Nos últimos 20 anos, São Paulo tem se transformado num grande centro de negócios da América Latina. Hoje em dia, a dificuldade é grande de se encontrar locais para a realização de eventos, mesmo com a oferta crescente de espaços para isso”, explica Assmann, que destaca outros impedimentos para se desenvolver o potencial da capital. “São Paulo já incorporou essa vocação de serviços por se caracterizar como cidade de negócios, mas o receio é que exista um gargalo até mesmo para o setor de serviços em relação à infra-estrutura básica, como transporte urbano e segurança, o que significa perda de eficiência”, diz. Para isso, acredita que os dirigentes políticos têm de ter “visão de negócios, para que não se percam as oportunidades de atrair novas empresas”.

Matéria originalmente publicada no jornal DCI, por Crislaine Coscarelli


 

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